O governo do Pará entrega à população paraense, neste domingo de Páscoa (9), o Novo Mangueirão. A mega estrutura esportiva foi reconstruída, ampliada e modernizada, e está a altura da paixão do paraense pelo futebol. Para concretizar a data especial, os dois maiores times da Amazônia se enfrentam em mais um clássico RE-PA, jogo válido pelo Campeonato Paraense.
“Feliz de nós termos um estádio que esteja na modernidade, na grandeza, na segurança e acessibilidade que o nosso torcedor precisa e merece. Eu tenho certeza de que o Novo Mangueirão incrementa, ainda mais, a paixão pelo futebol, a paixão do paraense pelo esporte, valorizando o amor dos nossos torcedores pelos seus clubes, na certeza de que, com um estádio nesta dimensão, certamente o Pará estará alçando mais protagonismo no futebol nacional e regional para que possamos ter uma praça esportiva moderna, com qualidade e gerando emprego e renda, trazendo eventos para o nosso estado e, claro, garantindo um local adequado para aqueles que nos visitarem”, comentou o governador Helder Barbalho.
As melhorias proporcionadas pelo governo do Pará abrangem a área externa do complexo, que está mais seguro e tecnicamente adaptado aos clubes, jogadores, equipes técnicas e, principalmente, aos seus espectadores e amantes do esporte. Toda a área do estacionamento foi ampliada e modernizada, aumentando a capacidade para cerca de 6,5 mil vagas.
O acesso ao Mangueirão foi reorganizado e ampliado. Para chegar às arquibancadas, o torcedor agora conta com sete rampas de cada lado, sendo uma exclusiva para cadeirantes. O estádio conta com total acessibilidade para pessoas com deficiência, elevadores panorâmicos, novas catracas e câmeras de segurança com reconhecimento facial (que estão conectadas com os servidores da segurança pública). O novo gramado tipo “bermuda celebration”, mais adequado para o clima do Pará e utilizado nos principais estádios de Copa do Mundo.
“Realmente agora podemos considerar a história antes e depois do Novo Mangueirão. Eu, que joguei na estreia oficial do estádio, em 1978, nunca vou esquecer aquele jogo. Hoje o nosso gramado não deve nada ao de Maracanã, Morumbi e até a estádios da Copa do Qatar. Foi empregada toda a tecnologia possível aqui”, comenta o ex-jogador Raimundo Nonato Mesquita, autor de dois gols do placar de 4x0 da Seleção Paraense contra a Seleção do Uruguai, durante a partida oficial de inauguração do estádio há 45 anos, no ano de 1978.
O torcedor azulino Jorge André, de 21 anos, contou o quanto o Mangueirão representa a sua infância e frisou a importância de ter o espaço de volta para retornar hábitos de pai e filho. “Lembro que o primeiro estádio que eu pisei foi o Mangueirão quando era criança ainda, desde então sempre assisto jogos do Remo com o meu pai e o mangueirão me traz essa lembrança, então agora com ele entregue, com certeza iremos a todas as partidas em que o Remo jogar”, declara o torcedor.
Inclusão -A acessibilidade é fundamental para a família do adolescente. Agora, pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), como ele, terão espaço de acomodação sensorial no novo Mangueirão. É um projeto intersetorial desenvolvido pela Secretaria de Estado de Saúde (Sespa) para garantir conforto durante os eventos, evitando situações de estresse em crianças, jovens, adultos e idosos com diagnóstico de TEA.
Modernização -O estádio, que começou a ser edificado em 1973 e abriu as portas pela primeira vez há mais de 40 anos, teve que se adequar a exigências de segurança, novos padrões estabelecidos pela Fifa e modernizações tecnológicas.
Projeto do arquiteto paraense Alcyr Meira, o Mangueirão, batizado assim pelos moradores da cidade das mangueiras, foi construído por módulos e se tornou um ícone para o Pará. “O Estado ganhou uma projeção grande. Foi uma festa muito bonita. Até hoje alguns torcedores me reconhecem e eu fico muito feliz de ter feito parte dessa história. Eu sinto muito orgulho desse projeto. Futebol é a alma do povo brasileiro”, comenta o arquiteto.
A total reestruturação do Mangueirão elevou o nível de segurança e conforto do estádio, agora, com capacidade para 50 mil torcedores. A obra de modernização traz a garantia da realização de grandes eventos esportivos de nível Internacional.
O secretário de obras do Estado, Ruy Cabral, destacou a importância dos dois eventos testes realizados antes da entrega oficial para se garantir a excelência do estádio. “Dentro do que se esperava pela magnitude do evento, pelo gigantismo que é o Mangueirão, pela importância do jogo e pela capacidade de público. Nós consideramos que o resultado foi extremamente satisfatório", comentou.
São novas rampas de acesso, elevadores, cabines de transmissão, camarotes, banheiros, restaurantes, cobertura, instalações, sistema de sonorização e iluminação cênica, placares, controle de acesso, substituição da pista de atletismo, novas acomodações para atletas, área externa refeita, projeto de sustentabilidade, recuperação da estrutura, postos policiais, câmeras com reconhecimento facial e ampliação do setor de cadeiras com substituição dos assentos por poltronas retráteis.
Estádio é referência para grandes eventos
Palco de grandes eventos para além do futebol, o Mangueirão recebeu shows importantes, como o do grupo musical Menudo, em 1985. Também ganhou reconhecimento internacional com o Gran Prix Caixa de Atletismo, com a marca de mais de 42 mil expectadores presentes, sendo o maior em público do Brasil em competições de atletismo. Além de celebrações religiosas, como o XVII Congresso Eucarístico Nacional, realizado pela Arquidiocese de Belém, em 2016, e eventos das igrejas Quadrangular e Assembléia de Deus.
Segundo o Secretário de Esporte e Lazer, Cássio Andrade, a ideia é que o espaço seja palco para receber importantes eventos esportivos e culturais “A gente quer ampliar o uso esportivo do estádio e trazer vários eventos do esporte para cá, mas também queremos resgatar a cultura e o lazer, que são os pilares da secretaria”, enfatiza o titular da pasta.
Nova era
O principal palco do futebol paraense está pronto para receber os torcedores, os eventos inesquecíveis e as novas revelações, apoiadas por quem fez carreira no esporte e sabe o valor do Mangueirão para os paraenses.
José Róbson do Nascimento, o Robgol, tem o estádio como uma casa. De longa trajetória pelo Paysandu, o jogo mais marcante foi a vitória de 5 a 2 contra o São Paulo, em 2003, pelo Campeonato Brasileiro.
“Em uma tarde mágica ganhamos de goleada. E o melhor, eu marquei 3 gols em apenas 8 minutos”, exalta o ex-centroavante. “Se já era bom jogar naquela época, imagina agora seguindo aos padrões exigidos pela Conmebol e pela Fifa. Posso afirmar que estamos recebendo um grande presente, um verdadeiro incentivo para o esporte paraense”, ressalta Robgol.
Reabertura
Aprovado por bicolores e azulinos, o Mangueirão reabre hoje (9) para mais uma partida do clássico Remo e Paysandu pelo Campeonato Paraense, às 16h. Um jogo que liga o passado e o futuro, para quem tem o privilégio de ser e fazer parte dessa história.
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