"Criar é resistir, bora brincar, bora criar, bora ser feliz". Esse é um dos trechos que compõe o samba-enredo 2023 do Grêmio Recreativo Escola de Samba Crias do Curro Velho, que desfilou pelas ruas do bairro do Telégrafo, em Belém, na manhã deste sábado (11). O trajeto iniciou na Praça Brasil, seguiu pela avenida Senador Lemos, travessa Djalma Dutra até a sede do Curro Velho, na rua Nelson Ribeiro. Centenas de crianças e jovens participaram da folia, que ocorre há mais de três décadas.
“O Curro Velho é um espaço de criação de oportunidades para as pessoas, em que a comunidade tem o sentimento de pertencimento, e é esse o nosso foco. Nosso enredo traz a preservação das memórias do nosso lugar, que é uma fala muito forte da comunidade, para que o Curro Velho siga sendo um lugar aberto a toda e qualquer pessoa. No desfile trouxemos atividades desenvolvidas com muita ludicidade, criatividade, felicidade e reforçando a ideia de preservação do meio ambiente, fortalecendo questões sociais, comportamentos das relações humanas, direitos e muito mais”, explica Jorge Cunha, um dos coordenadores do carnaval do Curro Velho.

Fantasiado de lobo mau, Davi Pontes, que é cadeirante, celebrou a oportunidade de participar do percurso. “O Curro Velho abriu as portas pra mim no momento mais difícil da minha vida, me resgatou e me trouxe de volta a vida, mostrando que eu poderia continuar realizando os meus sonhos por meio de ações inclusivas como essa. E estou aqui hoje realizando, no retorno do nosso carnaval, após o período difícil da pandemia, mais um sonho, de viver, de ser feliz e ser o que eu quiser ser, em um espaço de inclusão, onde todo mundo é bem-vindo, seja qual for o gênero, raça ou religião. Aqui é um encontro da cultura paraense”, destaca.

A pequena Joana Lee, 5 anos, era uma das foliãs mais animadas do cortejo. A mãe, a bióloga Ana Paula Roman, conta que a filha se encontrou na arte. “A gente sempre entendeu a importância do Curro Velho, principalmente, porque tem a finalidade de inclusão dos aspectos plurais na educação das crianças. A Joana ainda não tem idade pra participar das oficinas, mas nessa de carnaval, em específico, abriram a ala para os pequeninos. Ela amou dançar, interpretar, aprendeu todo o samba-enredo e a coreografia. Está muito feliz. A finalidade do carnaval é essa, se divertir, fantasiar, conhecer a nossa cultura. Pra mim, tá sendo emocionante de ver”, celebra.

A educadora física Amanda Lopes, 25 anos, participa desde os 18 anos de atividades do Curro Velho. Essa foi a primeira experiência dela no carnaval. “Eu entrei pela Casa da Linguagem e já fiz teatro, dança e canto. O Curro Velho pra mim, representa libertação, aprendizado e vida. Estou vivendo uma experiência nas alturas, desfilando com a perna de pau, tá sendo muito bom e gratificante ver o povo na rua de novo, porque acompanhamos todos os ensaios, oficinas, muito legal”, ressalta.
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