Mais uma vez, a amêndoa de cacau produzida no assentamento Tuerê, localizado no município de Novo Repartimento, no sudeste do Pará, ganhou destaque em uma premiação internacional. A chocolatier Marina Shtoh Ibri foi premiada com a medalha de prata no “Bean-To-Bar 2021-2022” do International Chocolate Awards/2021-2022. O anúncio dos vencedores foi realizado na noite da última terça-feira (21). Ela concorreu com o chocolate feito com a amêndoa produzida na propriedade de João Evangelista, que já ocupou espaço no pódio em outras conquistas nacionais e internacionais.
A competição “Bean-to-Bar” concentra-se em fabricantes de chocolate fino, artesanal e de micro-lote que trabalham diretamente de grãos de cacau para produzir barras de chocolate simples/de origem e aromatizadas da Europa, Oriente Médio e África. Os vencedores passarão para a Grande Final Mundial que será realizada no final do ano.
Marina, que é fundadora da empresa La Brigaderie de Paris, na França, concorreu na categoria micro-lotes barras de chocolate amargo simples de origem, sendo a única participante a utilizar a amêndoa oriunda da Amazônia. Ela, que trabalha desde 2013 com chocolate e desde 2018 com bean to bar (do grão à barra), não esconde a satisfação não apenas com a premiação, como pelo fato de ter utilizado a amêndoa do produtor João Evangelista, do Pará. “Eu tive o prazer de estar com ele em Paris, no último Salão do Chocolate; ficamos muito amigos. Ele é um grande apaixonado pelas suas plantas. Isso a gente sente no produto final”, destacou a chocolatier.
Ela se declara uma militante do cacau fino brasileiro na França. “Meu objetivo é de aumentar a minha gama de cacaus finos da Amazônia, de preferência, de pequenos produtores. Estou super aberta para descobrir novos produtores”, destacou.
Para Marina Ibri, o resultado representou não apenas um grande reconhecimento do seu trabalho, mas a valorização dos bons cacaus brasileiros na França. “É também a confirmação da qualidade das amêndoas do Terroir Tuerê e mais precisamente do produtor João Evangelista; de um modo geral, estou encantada com o trabalho que tem sido feito e os resultados alcançados; um chocolate com cacau amazônico é tão complexo quanto o lugar, o chocolate é vivo, denso e intenso”, declarou a empresárias premiada.
Valorização
O 26º Salão do Cacau e do Chocolate, realizado em outubro do ano passado, na França, contou com a participação do produtor João Evangelista e de outros representantes dos municípios de Medicilândia e de Altamira. Uma comitiva do Governo do Estado, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap), participou da programação.
A engenheira agrônoma Dulcimar Melo, que é da equipe do Programa de Desenvolvimento da Cadeia Produtiva da Cacauicultura (Procacau) e que foi uma das representantes pela Sedap, lembra que a exemplo do que ocorreu em Paris, os produtores e empresários paraenses têm importante participação nas programações alusivas ao cacau e ao chocolate.
“O resultado é esse que a gente vê: participam de rodadas de negócios, fecham parcerias e fazem a troca de conhecimento; ficamos felizes em saber de mais essa conquista obtida pelo cacau paraense e parabenizamos aqui a Marina bem como o produtor João Evangelista”, declarou a integrante da equipe do Procacau da Sedap.
Ela destaca que em todas as edições já realizadas, a amêndoa de cacau do Pará sempre é destaque. “Participamos recentemente do Festival Internacional de Salvador; mais uma vez, o espaço paraense foi bastante prestigiado; na próxima semana, estaremos com o Festival Internacional em Altamira e com o apoio através dos recursos do Funcacau incentivamos nossos produtores a apresentar o resultado do seu trabalho”, salientou Dulcimar Melo.
Conquista
Na sua propriedade localizada no assentamento Tuerê, o agricultor familiar, João Evangelista, ficou sabendo do resultado da premiação. “Eu falei com a Marina na noite do resultado; fiquei muito feliz com mais essa conquista, em saber que a amêndoa que a gente produz com muita dedicação e carinho aqui no Tuerê, foi fundamental para essa conquista, é um grande triunfo”, declarou Evangelista.
Ele destaca que foi muito importante conhecer a chocolatier no Salão de Paris. “Tive o apoio do Governo do Estado, através da Sedap, e da Fundação Solidaridad que nos fornece todo esse conhecimento através da assistência técnica e nos incentiva e orienta na produção de cacau preservando a floresta; é importante também o apoio que recebemos da Cooperativa de Reflorestamento e Bioenergia e da Amazônia (Coopercau)”, destacou Evangelista.
O produtor, que nasceu na cidade de Brejo, no Maranhão e desde 2013 passou a morar no Tuerê, vem colecionando uma série de premiações. Entre elas, o segundo lugar como a melhor amêndoa da América Latina, no cobiçado “Cocoa of Excellence Awards”, realizado no ano passado.
Ele informa que da sua propriedade, oito hectares são reservados para o plantio no Sistema Agroflorestal (Saf). São 8 mil pés de cacau. “É um trabalho árduo e contínuo; assim como eu, temos outros produtores aqui no Tuerê e não trabalhamos sozinhos; temos uma rede de apoio que é muito importante para o nosso trabalho”, destaca. Ele anunciou que no mês de agosto deste ano receberá a visita da chocolatier Marina Shtoh Ibri. “Foi muito bom a gente ter se conhecido em Paris; ela vai poder conhecer de perto o nosso local de trabalho; onde a gente planta com muita dedicação o nosso cacau. Ela será muito bem-vinda”, anunciou João Evangelista.
Texto:Rose Barbosa/Ascom Sedap
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