Sexta, 19 de Abril de 2024 03:02
Brasil CRISE NA SEGURANÇA

Presos arrombam cadeados, furam parede e fogem de penitenciária no Piauí

Local abrigava 6481 presos, quando a capacidade máxima é de apenas 3076 detentos

20/02/2024 06h56
Por: Redação Fonte: O Liberal
Presídio onde houve a fuga fica em Bom Jesus, município a cerca de 60 km da capital, Teresina (Reprodução / Sejus)
Presídio onde houve a fuga fica em Bom Jesus, município a cerca de 60 km da capital, Teresina (Reprodução / Sejus)

Dezessete detentos fugiram nesta segunda-feira (19) da Penitenciária Dom Abel Alonso Núñez, uma das quatro unidades do estado do Piauí com piores condições, de acordo com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Ela fica em Bom Jesus, município a cerca de 60 km de Teresina.

As informações são de que os fugitivos conseguiram arrombar cadeados e furar uma parede da unidade prisional. A fuga do presídio de Bom Jesus acontece em um momento de crise no sistema prisional brasileiro, a partir do caso da Penitenciária Federal de Mossoró, de onde escaparam dois detentos.

Presídio no Piauí

Os dados do CNJ sobre a Penitenciária Dom Abel Alonso Núñez são referentes a uma vistoria feita em janeiro deste ano. O presídio foi projetado para receber 76 detentos. No entanto, havia no local, no momento da inspeção do CNJ, um total de 185 reeducandos. Desse total, 146 eram presos provisórios.

Em nota, a Diretoria de Unidade e Administração Penitenciária (Duap) informou que "as causas do ocorrido estão sendo investigadas por meio de procedimento administrativo no âmbito da Secretaria da Justiça". "Desde a ocorrência, todas as forças de segurança do Estado já entraram em ação em diligências para a recaptura dos foragidos", acrescenta o texto.O Piauí, onde 17 presos fugiram nesta segunda-feira (19), é o estado do Brasil com maior déficit de vagas em presídios. De acordo com dados do painel do Conselho Nacional Justiça (CNJ), elaborado a partir das inspeções feitas por juízes, há 21 estabelecimentos prisionais no Piauí comportando 6481 presos, enquanto a capacidade destes é de apenas 3076 vagas. Ou seja, um déficit de 111%, primeiro lugar no ranking nacional.O déficit acima de 100% significa que o excesso de presos é maior do que a própria oferta original de vagas. Para evitar a superlotação, seriam necessárias atualmente 3422 novas vagas. Somente dois presídios do estado não estão superlotados.

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