Estudo realizado peloCentro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC),da Fundação GetulioVargas (FGV), mostra que nenhuma das unidades da federação divulga dados desagregados sobre a cor, raça ou origem étnica dos ocupantes de cargos no setor público.
“Isso significa, por exemplo, que mesmo que um estado traga o percentual geral de mulheres ou pessoas negras que atuam no serviço público, não é possível saber onde elas estão alocadas”, destaca texto do levantamentoConhecendo as lideranças públicas: desafios e oportunidades para ampliação da transparência de dados,feito a pedido da Fundação Lemann e do Movimento Pessoas à Frente.
A pesquisa - baseada no período de agosto a dezembro de 2022 -destaca que apenas o estado do Paraná divulgadados desagregados sobre o gênerodos servidores.
Ela mostra, ainda, que somente oitounidades da federação(Amapá, Distrito Federal, Espírito Santo, Paraíba, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Sergipe) trazem a informação sobre a data de início do servidor no cargo, o que permitiriaanalisar o grau de rotatividade das lideranças públicas.
De acordo com o levantamento,os registros públicos também não revelama escolaridade das pessoas que atuam no setor público, incluindo aquelas que ocupam posições de liderança nos governos.
“Essas informações são fundamentais tanto para identificar as desigualdades existentes, inclusive nas posições de liderança, quanto para desenhar e implementar um quadro de direção profissionalizado e diverso. Isso contribui para a entrega de serviços e políticas públicas de qualidade para os cidadãos”, diz aespecialista em gestão pública e integrante do Movimento Pessoas à Frente,JessikaMoreira.
Segundo o coordenador de Conhecimento, Dados e Pesquisa da Fundação Lemann, Matheus Nunes,a falta da divulgação de dados desagregados impede a sociedade de saber se a sua diversidade está representada no funcionalismo e nos seus cargos de liderança.
“A gente temevidências,tanto na literatura quanto em experiências,que dizem que,quando hápessoas trabalhando no setor público que tenham uma representação mais fiel da sociedade, hámelhores políticas”, frisa Nunes.
Ele ressalva que a Lei de Acesso à Informação (LAI) não detalha as informações que devem ser prestadas. “A Lei de Acesso à Informaçãoéuma lei que pede que os dados sejam disponibilizados via transparência ativa, dados que ajudem a gente a entender melhor o funcionalismo. Ela não especifica, não falaque tem que terescolaridade, gênero e raça, por exemplo, não entranesse nível de especificidade. Mas ela dá asdiretrizes mais gerais. É importante a gente terosmelhoresdados sobre o funcionalismo”, ressalta.
A pesquisa analisou uma amostra de secretarias estaduais, focando nas áreas de Educação, Saúde e Gestão. Com esse recorte, foram identificadas 7.250 pessoas em cargos de liderança em 2022 em todos os estados e no Distrito Federal.
“Há um longo caminho para termos mais e melhores dados sobre as lideranças no setor público, especialmente em estados e municípios. Por isso, destacamos a importância de ter ferramentas nacionais para a coleta e divulgação periódica de dados sobre o serviço público subnacional, que ampliaria a capacidade coletiva de formulação e implementação de melhores políticas de gestão de pessoas, sobretudo, de lideranças”, finaliza Nunes.
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