Em meio ao avanço do endividamento no país, o Governo Federal do Brasil lançou uma nova fase do Desenrola Brasil, ampliando o alcance da iniciativa e detalhando regras para facilitar a vida de quem precisa reorganizar as finanças. A proposta vai além de renegociar débitos: busca também reabrir portas no mercado de crédito.
O programa tem duração inicial de 90 dias e mira principalmente brasileiros com renda de até cinco salários mínimos (R$ 8.105). A expectativa da equipe econômica é alta: cerca de R$ 58 bilhões em dívidas podem ser renegociados em todo o país.
Na prática, o Desenrola permite que consumidores troquem dívidas caras por acordos com melhores condições. Isso acontece por meio de descontos, novos prazos e limites de juros, tornando o pagamento mais viável dentro da renda familiar.
O modelo combina renegociação direta com bancos e a possibilidade de contratação de um novo crédito para quitar débitos antigos, especialmente aqueles com taxas elevadas, como cartão de crédito e cheque especial.
No caso das famílias, podem participar pessoas com renda mensal de até R$ 8.105 que tenham dívidas atrasadas.
Podem ser incluídos débitos feitos até janeiro de 2026, com atraso entre 90 dias e dois anos. Isso inclui contas comuns do dia a dia, como:
O programa oferece uma combinação de vantagens para facilitar o pagamento:
Apesar de não serem os menores juros do mercado, essas taxas costumam ser inferiores às cobradas em dívidas rotativas, que podem ultrapassar 400% ao ano.
A adesão deve ser feita diretamente com bancos e instituições financeiras, por canais digitais ou presenciais. O governo não intermedeia os acordos, e a disponibilidade depende da participação de cada instituição.
Uma das medidas que mais chama atenção é a retirada automática do nome de pessoas com dívidas de até R$ 100 dos cadastros de inadimplência. Já quem renegociar terá o nome limpo após fechar o acordo.
O programa também traz exigências. Uma delas é o bloqueio do CPF em plataformas de apostas por até 12 meses para quem aderir, como forma de reduzir o risco de novo endividamento. Além disso, bancos participantes devem investir em educação financeira e limitar o uso do crédito para jogos.
Parte das operações conta com o apoio do Fundo Garantidor de Operações, que funciona como uma segurança para os bancos e ajuda a viabilizar condições melhores. Os recursos do fundo vêm de valores já existentes, novos aportes e até dinheiro “esquecido” em instituições financeiras.
O trabalhador também poderá usar parte do FGTS para ajudar na quitação. Será permitido utilizar até 20% do saldo ou R$ 1 mil, o que for maior, mas apenas após a renegociação.
No caso do Desenrola Fies, estudantes com dívidas antigas podem conseguir descontos maiores, que chegam a até 99% em situações específicas, principalmente para quem está inscrito em programas sociais.
Para pequenos negócios, o programa amplia prazos e valores de crédito, com carência maior e limites mais altos. Já no setor rural, a iniciativa busca regularizar a situação de agricultores familiares e facilitar o acesso a novos financiamentos.
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