Em contato com a reportagem do Correio de Carajás, o advogado criminalista Diego Adriano Freires, juntamente com o colega Caio Lins, que assumiram a defesa de Rodrigo Correia de Almeida, preso por transportar um bitrem recheado de cocaína afirmam que o caso ainda está em fase inicial e que a análise dos fatos deve ocorrer com cautela.
A apreensão de mais de uma tonelada de cocaína realizada pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) em Marabá, na tarde desta segunda-feira (6), ganhou novos desdobramentos após a manifestação da defesa do motorista preso durante a operação.
Segundo informações divulgadas pelas autoridades e repercutidas pelo CORREIO, a carga estava escondida em compartimentos ocultos de uma carreta e teria como destino o Porto de Barcarena, de onde seria enviada para a Europa. O prejuízo estimado ao tráfico pode chegar a R$ 600 milhões, segundo as autoridades.
O motorista Rodrigo Correia foi abordado no trecho entre Marabá e Goianésia do Pará, após suspeitas levantadas durante monitoramento do veículo. Na fiscalização, os agentes localizaram centenas de tabletes da substância ilícita ocultos em estrutura adaptada do caminhão.
Segundo a PRF, a apreensão pode se configurar como uma das maiores da região Norte, pelo volume apreendido, superior a uma tonelada de cocaína distribuídas em 998 tabletes da droga, reforçando a relevância da rota utilizada para o tráfico internacional de entorpecentes.
O que diz a defesa
De acordo com a defesa, há indícios de que o motorista não tinha conhecimento da existência da droga, sustentando a tese de que ele pode ter sido induzido a erro por terceiros. “A participação do motorista precisa ser analisada com responsabilidade. Não há, até o momento, prova segura de que ele tivesse ciência da existência de fundo falso ou da carga ilícita”, afirma.
A defesa informou ainda que a audiência de custódia será realizada no dia seguinte à prisão, ocasião em que será avaliada a legalidade do flagrante. Na oportunidade, será requerido o relaxamento ou a concessão de liberdade provisória, considerando que o investigado possui endereço fixo, bons antecedentes e histórico de mais de 12 anos de atuação como motorista profissional.
Outro ponto destacado pela defesa é a condição familiar do acusado. Rodrigo é pai de uma criança com Transtorno do Espectro Autista (TEA), circunstância que será levada ao Judiciário como elemento relevante na análise das medidas cautelares. Além disso, conforme relatado pela defesa, o motorista permaneceu no local da abordagem por cerca de duas horas aguardando a chegada da PRF, após ter sido inicialmente abordado pela Polícia Militar, não havendo qualquer tentativa de fuga.
Para o advogado, a conduta adotada pelo investigado é compatível com a de alguém que não tinha conhecimento de prática ilícita.
O caso foi encaminhado à Polícia Federal, que ficará responsável pela condução das investigações, especialmente quanto à origem da droga e eventual participação de terceiros na logística do transporte. A defesa informou que buscará acesso integral aos elementos de prova e reforçou que a responsabilização penal deve estar baseada em provas concretas de participação consciente.
A reportagem segue acompanhando o caso.
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