Enquanto o mundo ainda enfrenta reflexos da pandemia de COVID-19, três patógenos emergentes chamam a atenção de autoridades sanitárias globais, que já estão em alerta.
Mudanças climáticas, crescimento demográfico e maior fluxo internacional de pessoas criam ambiente propício para que vírus se espalhem e se adaptem com mais facilidade. O professor Patrick Jackson, da Universidade da Virgínia, publicou análise na revista The Conversation sobre três agentes infecciosos que merecem vigilância intensificada.
O vírus Oropouche, a cepa H5N1 da gripe aviária e o mpox se destacam pelo avanço recente em novas regiões geográficas.
Pequenos mosquitos transmitem o vírus Oropouche, que causa manifestações clínicas parecidas com as de uma gripe comum. Cientistas identificaram o patógeno pela primeira vez nos anos 1950, em Trinidad e Tobago.
Durante décadas, a circulação ficou concentrada na região amazônica, mas a partir dos anos 2000 o vírus se espalhou por outros territórios sul-americanos, centro-americanos e caribenhos.
Dados da Organização Pan-Americana da Saúde revelam que o Brasil registrou a maior parte dos casos nas Américas até agosto de 2025. O vírus chegou a 20 estados brasileiros e provocou cinco mortes confirmadas:
Países europeus notificaram casos importados, relacionados a viajantes que contraíram a infecção. Pesquisadores investigam a transmissão vertical, de mãe para filho, e possíveis riscos para gestantes.
Não existe vacina nem medicamento específico contra o Oropouche. Em janeiro deste ano, a Organização Mundial da Saúde lançou proposta para acelerar estudos sobre prevenção e controle da doença.
O vírus influenza A possui alta taxa de mutação, característica que facilita adaptações.
A cepa H5N1, conhecida como gripe aviária, ampliou o leque de hospedeiros quando infectou rebanhos leiteiros nos Estados Unidos em 2024. O salto para bovinos representou mudança significativa no padrão de circulação do patógeno.
Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças norte-americanos contabilizam 71 infecções humanas e dois óbitos desde 2024. Até o momento, não há evidências de transmissão continuada entre pessoas.
No Brasil, uma granja comercial registrou a presença do vírus em 2025. O principal temor dos cientistas é que o H5N1 desenvolva capacidade de transmissão eficiente entre humanos.
Essa mudança seria requisito para o início de nova pandemia. Laboratórios já conduzem pesquisas para criar vacinas específicas, incluindo o Instituto Butantan no Brasil.
O mpox permaneceu restrito ao continente africano durante décadas. Em 2022, a variante clado IIb se espalhou rapidamente e alcançou mais de cem países. A transmissão acontece principalmente por contato físico próximo entre pessoas.
Desde 2024, nações da África Central enfrentam aumento de infecções pelo clado I, versão considerada mais grave da doença. Outros países sem conexão direta com a África notificaram casos recentes.
Vacinas estão disponíveis, mas especialistas acompanham a evolução das variantes ao longo de 2026 para avaliar a eficácia das medidas de controle existentes.
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