Casos de crueldade animal costumam gerar forte comoção popular, mas o episódio ocorrido na Praia Brava, em Florianópolis, escalou para um debate nacional sobre impunidade e responsabilidade. O que começou como uma agressão brutal contra um animal comunitário querido pela vizinhança, transformou-se em uma complexa investigação policial que envolve viagens internacionais, apreensões em aeroporto e pressão sobre testemunhas.
Nesta terça-feira (3), a Polícia Civil de Santa Catarina (PCSC) oficializou o encerramento do inquérito que apura o espancamento e a morte do cão Orelha. O documento já foi encaminhado ao Fórum da capital.
Embora o número exato de indiciados não tenha sido detalhado pela corporação, o caso foca na conduta de quatro adolescentes suspeitos de desferirem as pauladas que tiraram a vida do animal no início de janeiro.
A investigação tomou rumos atípicos após a repercussão do crime. Dois dos menores envolvidos chegaram a viajar para Orlando, nos Estados Unidos, logo após o ocorrido, sendo interceptados pelas autoridades no retorno ao Brasil, em 29 de janeiro.
Além da conduta dos jovens, a Polícia Civil lançou luz sobre a rede de apoio familiar: três homens, parentes dos adolescentes, foram indiciados anteriormente por tentar coagir pessoas que presenciaram ou tinham informações sobre o ataque.
O crime de maus-tratos, que resultou na morte de Orelha no dia 5 de janeiro, mobilizou protestos e pedidos de justiça em todo o estado, inclusive, em Belém, no último domingo (1).
Agora, o Poder Judiciário analisará as provas colhidas para determinar as medidas socioeducativas e as sanções penais cabíveis aos adultos envolvidos no cerceamento das investigações. A defesa dos investigados informou que aguarda a confirmação oficial da conclusão do caso para se manifestar.
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