Em meio a um cenário de paisagens exuberantes, onde o turismo de balonismo costuma ser uma das principais atrações, Praia Grande, no litoral de Santa Catarina, se transformou em palco de uma tragédia aérea que comoveu o país. O que era para ser um passeio inesquecível terminou de forma devastadora, com a morte de oito pessoas após um balão pegar fogo e despencar no último sábado (21). Entre as vítimas estão casais, irmãos e amigos que buscavam celebrar a vida, mas foram surpreendidos pelo acidente.
Luana da Rocha, filha de Janaina Moreira Soares da Rocha, de 46 anos, e Everaldo da Rocha, de 53, estava a bordo do balão no momento em que as chamas começaram. Em uma publicação nas redes sociais, ela revelou ter conseguido escapar a tempo.
"Eu estava no balão, pulei antes, e estou bem na medida do possível, graças a Deus!", escreveu horas após o acidente, quando ainda buscava notícias dos pais, que estavam desaparecidos.
Mais tarde, com a confirmação do falecimento do casal, Luana compartilhou fotos ao lado dos pais, acompanhadas de declarações comoventes. "Vocês eram tudo para mim! E eu só tinha vocês", escreveu em uma das postagens. Em outra, reforçou o laço que os unia: "Para sempre! Eternamente! Nós três!". Ela também se despediu da mãe, a quem chamou de "melhor amiga".
O velório de Janaina e Everaldo aconteceu na manhã de domingo (22), em Joinville, no norte de Santa Catarina, onde a família morava.
De acordo com informações do Corpo de Bombeiros, além do casal, outras seis pessoas morreram no acidente. O piloto e mais 12 ocupantes conseguiram saltar antes que o fogo tomasse completamente o cesto. Todos eles sofreram apenas ferimentos leves.
Entre os mortos, estão o bancário Fabio Luiz Izycki, primo do prefeito de Barão de Cotegipe (RS), e sua namorada, Juliane Jacinta Sawicki, engenheira agrônoma. Também perderam a vida Leandro Luzzi, patinador artístico de Blumenau que já representou o Brasil em campeonato mundial; a médica Leise Herrmann Parizotto; e sua mãe, Leane Elizabeth Herrmann. Leane estava acompanhada de outra filha, Leciane Herrmann, que sobreviveu ao acidente.
As investigações preliminares apontam que as chamas teriam começado por um problema no maçarico do balão. A empresa responsável informou, em nota, que o piloto tem ampla experiência e que todos os procedimentos de emergência foram adotados durante a pane.
Segundo o Corpo de Bombeiros, das oito vítimas fatais, quatro pularam do balão já em chamas, mas não resistiram aos ferimentos devido à altura da queda. As outras quatro permaneceram no cesto, sem conseguir escapar, e morreram carbonizadas.
Praia Grande é conhecida nacionalmente pelos voos de balão, que atraem turistas interessados em contemplar os cânions na divisa de Santa Catarina com o Rio Grande do Sul. A tragédia gerou comoção e colocou em debate a segurança nas operações desse tipo de turismo.
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