A nova cepa da Mpox chegou ao Brasil e o primeiro caso foi confirmado na Região Metropolitana de São Paulo. Esta é considerada a variante mais mortal do vírus, chamada Clado 1b.
Na República Democrática do Congo, onde teve origem, a doença está com uma grande proporção, o que fez com que a Organização Mundial da Saúde (OMS) decretar emergência de saúde pública no nível (ESPII), sendo o mais alto valor, em agosto de 2024.
No Brasil, o primeiro caso da nova cepa foi identificado em uma mulher de 29 anos que não viajou para regiões em que há o surto da doença. Apesar disso, ela recebeu algumas pessoas que vieram do Congo. O estado de saúde dela é considerado bom, já que apresenta boa evolução e passa bem. A expectativa é que ela tenha alta na próxima semana.
A preocupação dos especialistas é que a versão do vírus não é a mesma do surto mundial de 2022, causada pela Clado 2, que era mais leve. No caso da Clado 1, ela é 10 vezes mais mortal que a anterior.
Os especialistas consideram que existem duas principais cepas do vírus mpox, em que uma é relacionada à África Central na Região do Congo (Clado do Congo) e a outra é associada à África Ocidental na região da Nigéria (Clado da Nigéria).
Assim, cada cepa foi nomeada conforme o grupo de origem, sendo a do Congo chamada de Clado 1 e a da Nigéria de Clado 2. Como a mpox é uma doença viral da mesma família da varíola, que foi erradicada na década de 1980, ela chegou a ser conhecida como "varíola do macaco", mas esta nomenclatura foi abandonada por conta da falta de relação entre a doença e os macacos.
A Clado 2 foi a responsável pela propagação global de 2022, que teve uma variante chamada 2b, a qual podia ser transmitida por relações sexuais. Mesmo considerada a forma mais branda do vírus, a OMS chegou a emitir alerta do nível mais alto.
O Brasil foi um dos países mais afetados, além de ter sido o primeiro país a registrar uma morte fora do continente africano. A cepa continua a circular, mas já não tem a mesma letalidade e já não requer emergência global.
No entanto, uma nova variante, agora derivada da Clado 1, vem preocupando pesquisadores, pois ela é mais letal que a cepa do Clado 2 em 10%. Assim como aconteceu com a 2b, a 1b também é transmitida sexualmente.
A letalidade da Clado 2 é de 1 pessoa a cada 100 casos, o que representa 1%. No caso da Clado 1, o valor é 10 vezes maior, em que chega a 10% de morte dos casos confirmados da doença.
O alerta ESPII atual da OMS é por conta da Clado 1, que está sendo disseminada no mundo todo e chegou ao Brasil.
Apesar disso, nenhuma morte pela mpox fora do Congo foi registrada por conta da variante 1b, ainda que no país o número de óbitos seja grande.
Além do Brasil, outros 13 países registraram casos de Clado 1b da mpox, segundo a OMS:
Já no continente africano, há transmissão comunitária, em que o vírus circula localmente e sem a necessidade de pessoas levarem o vírus. Os países afetados são:
A OMS explica sobre os casos de transmissão fora da África: "Casos importados de mpox ocorreram entre adultos que viajaram durante seus períodos de incubação ou apresentaram sintomas iniciais e foram diagnosticados após chegarem ao país que notificou o caso. Frequentemente, esses indivíduos relataram contato sexual prévio com uma pessoa com mpox confirmado ou com alguém que apresentava sinais e sintomas sugestivos da doença”.
A OMS destaca que o cenário atual não é o mesmo vivenciado em 2022, porém é preciso ter atenção com a propagação do vírus no mundo, muito por conta da forma de transmissão dele.
“O surto multicontinental de mpox causado pelo Clado 2b, iniciado em 2022, demonstrou que o contato sexual pode sustentar a transmissão comunitária do vírus. Da mesma forma, os subclados 1a e 1b também estão se espalhando por meio do contato sexual”.
No final do mês passado, o Comitê de Emergência da OMS específico da mpox recomendou ao diretor-geral, Tedros Adhanom Ghebreyesus, para que mantivesse a emergência de agosto de 2024 para a doença. Assim seguiu Tedros.
Por meio de nota, a OMS informou que o comitê se baseou no "aumento contínuo dos números (da mpox) e na sua expansão geográfica". Além disso, a organização destacou a "violência no leste da República Democrática do Congo - que dificulta a resposta - e na falta de financiamento para implementar o plano de resposta".
O vírus da mpox pode ser transmitido aos seres humanos por meio do contato físico com alguém que esteja transmitindo o vírus, além de materiais contaminados ou animais infectados, segundo a OMS.
O destaque fica por conta da transmissão por meio das relações sexuais, que é uma consequência evolutiva das novas cepas.
Em relação à nova forma de disseminação das cepas do vírus, o diretor executivo da Coalizão para Inovações em Preparação para Epidemias (CEPI), Richard Hatchett, comenta: "O preocupante neste momento é que esse outro Clado, que tem uma taxa de letalidade que pode ser até 10 vezes maior, também encontrou seu caminho para a transmissão sexual". "Então estamos olhando para uma potencial bomba-relógio em que a forma mais perigosa da doença agora tem o potencial de explodir e se espalhar globalmente", completou o especialista.
Alguns sintomas e sinais são comuns para as pessoas que apresentam o vírus, em que eles costumam aparecer entre seis e 13 dias após a contaminação. Alguns casos podem levar até três semanas para se manifestarem.
No caso de transmissões por via sexual, as erupções ocorrem nas genitálias.
Quando a doença é leve, os sintomas costumam desaparecer sozinhos dentro de duas a três semanas.
No mundo, há duas vacinas aprovadas pelas organizações especializadas, como o Grupo Consultivo Estratégico de Especialistas e Imunização da OMS, o SAGE.
Já no Brasil, utilizam-se as vacinas desenvolvidas para a varíola tradicional, que dão proteção contra a mpox. Uma delas é direcionada para grupos de risco, como as pessoas que vivem com vírus do HIV e com contagens baixas de células de defesa.
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