A publicitária Luanna Mendonça, de 42 anos, estava com a agenda cheia de viagens marcadas e trabalhos agendados para o final do ano de 2024, quando começou a sentir fortes dores no corpo e febre, no dia 21 de dezembro.
“Desde aí eu tive dias de febres altas e intermitentes sem nenhum outro sintoma. Cheguei a falar a com um médico da família e ele achou que era a virose que estava comum nesse período, mas houve um momento que o antitérmico não baixava as febres. Eu suava e tinha que trocar os lençóis, tremia de frio e a febre não passava”, lembra Luanna, que acabou passando a noite de Natal isolada e sozinha, com receio de estar com a Covid-19. Após realizar o teste, uma tomografia do tórax diagnosticou a pneumonia.
Segundo a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), no período de 1º de janeiro e 30 de novembro de 2024, 27.710 internações por pneumonia foram registradas no Pará. Os dados são Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS).
Relatos de profissionais de saúde indicam que o número de casos de pneumonia aumentou no Brasil no último ano. A alta estaria ligada à forma silenciosa ou atípica da doença, que causa sintomas mais brandos que os quadros tradicionais de pneumonia, o que pode levar à demora em procurar atendimento.
A médica generalista, Vittória Marques Bigatão, explica que no período conhecido como inverno Amazônico, a temporada de chuvas intensas altera o clima da região Norte, causando a elevação da umidade do ar e consequentemente o aumento nas doenças respiratórias.
“O inverno amazônico é a estação onde as chuvas são mais intensas e com as mudanças climáticas atuais temos cenários de temperaturas mais elevadas, e isso faz com que a imunidade fique comprometida, tornando o ambiente mais favorável para contrair vírus e bactérias.”
Segundo Vittória, o diagnóstico é clínico, podendo ser complementado com exames de imagem e laboratorial. Ela afirma também que o tratamento vai depender do agente causador e do grau de gravidade do paciente.
“Por exemplo, se for bactéria tratamos com antibiótico, mas além disso é importante avaliar como a doença se instala, a evolução e os fatores de risco para assim definir qual é o melhor tratamento, se ambulatorial ou hospitalar”, afirmou.
Luanna recebeu o diagnóstico após a persistência dos sintomas e a procura por um atendimento de urgência.
“A princípio havia a possibilidade de eu ficar internada porque o pulmão estava bem comprometido, mas como meu estado clínico estava bom, fui liberada para o tratamento em casa. O antibiótico foi um alívio, o primeiro sintoma que foi embora foi a febre e isso mudou tudo. Ainda assim, as noites eram bem ruins já que a falta de ar aumentava e os acessos de tosse também. Fora o cansaço muito grande”, detalha Luanna, que era fumante e decidiu parar após a doença.
A médica Vittória Bigatão afirma que a doença tem cura, mas há fatores importantes que devem ser considerados.
“A evolução da doença é individual, tendo que levar em conta doenças prévias, idade, tabagismo, fatores comportamentais e sociais que influenciam na evolução e no desfecho da doença”, explica ela, ressaltando que “as principais formas de prevenção são recomendações simples como lavar as mãos, evitar aglomerações, não fumar e, principalmente a vacinação”.
Uma das formas da doença que podem ter influenciado o aumento dos casos no último ano é a chamada “pneumonia silenciosa”. Apesar de ser popularmente conhecida por este nome, a doença causada pela bactéria Mycoplasma pneumoniae tem sintomas, porém, diferentes do quadro tradicional.
Essas infecções costumam ser menos graves do que a pneumonia clássica por pneumococo. Por isso, o aumento do número de casos é mais evidente na emergência do que na internação.
A Mycoplasma pneumoniae é transmitida através de gotículas quando uma pessoa infectada tosse ou espirra. O sintoma mais comum da infecção pela bactéria é a tosse seca, mas pode haver outros sintomas gripais como dor de garganta, cansaço, febre, dor no peito, desconforto e dor de cabeça.
“Essa é minha terceira pneumonia e, sem dúvida, foi a menos problemática. O que mais me chocou é que realmente é uma doença silenciosa. A infecção já devia estar tomando o meu pulmão sem eu saber. Quando a febre feio já foi o corpo reagindo. Sem nenhum outro sintoma. Quando a gente sente é porque o pulmão já está muito infeccionado, e tudo se confunde com virose”, concluiu Luanna.
Sintomas: as principais manifestações clínicas da pneumonia são tosse com produção de expectoração, dor torácica, mal-estar, falta de ar e febre.
Transmissão: a pneumonia pode ser adquirida pelo ar, saliva, secreções, transfusão de sangue ou, na época do inverno, devido a mudanças bruscas de temperatura. Essas mudanças comprometem o funcionamento dos pelos do nariz, responsáveis pela filtragem do ar aspirado, o que acarreta uma maior exposição aos micro-organismos causadores da doença.
Diagnóstico: exame clínico, auscultação dos pulmões e radiografias de tórax são recursos essenciais para o diagnóstico de pneumonia.
Tratamento: depende do micro-organismo causador da doença. Nas pneumonias bacterianas, devem-se usar antibióticos. Na maior parte das vezes, quando a pneumonia é causada por vírus, o tratamento inclui apenas medicamentos para aliviar os sintomas, como febre e dor, podendo ser necessários medicamentos antivirais nas formas graves da doença. Nas pneumonias causadas por fungos, utilizam-se medicamentos específicos.
As principais formas de prevenir a doença são recomendações simples, como lavar as mãos, não fumar, não usar bebidas alcoólicas, evitar aglomerações e se vacinar. Além da vacina da gripe há, ainda, a vacina anti-pneumocócica que previne as pneumonias causadas pela bactéria ‘pneumococo’. Em caso de contágio, a imunização diminui a intensidade dos sintomas, além de evitar as formas graves da doença e a mortalidade para esse tipo específico de pneumonia.
A vacina Pneumo 23 ou pneumocócica 23 protege contra doenças graves causadas pela bactéria pneumococo, como pneumonias, meningites e outras. É indicada para crianças a partir dos 2 anos de idade e adultos. Ela faz parte da Campanha Nacional de Multivacinação e é oferecida de forma gratuita pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Algumas das populações prioritárias para receber a vacina são: adultos com idade igual ou superior a 60 anos, portadores de doenças crônicas, indivíduos com deficiências no sistema imunológico, gestantes, residentes em lares de idosos, profissionais da saúde, cuidadores de crianças, indígenas, população carcerária, tabagistas e pessoas com asma.
É muito importante saber que, se não tratada corretamente, a pneumonia pode evoluir para um quadro mais grave e fatal. Sempre procure orientação médica.
SAÚDE Genérico 2 em 1 para diabetes tipo 2 chega em breve às farmácias
SAÚDE Fiocruz vai produzir remédio de alto custo contra esclerose para o SUS
HIPERTENSÃO Cardiologista revela 8 frutas que baixam a pressão arterial
TAXA DE MORTALIDADE OMS declara surto de ebola como emergência de saúde pública mundial
HANTAVÍRUS Hantavírus: OMS afirma que não há indícios de surto maior após casos em navio
FIQUE ATENTO! Remédio para dor de cabeça será retirado do Brasil em junho Mín. 22° Máx. 33°
Mín. 21° Máx. 32°
Parcialmente nubladoMín. 21° Máx. 32°
Chuvas esparsas
Mundo dos Famosos Estratégia de Defesa de Deolane Bezerra na Prisão Cautelar
Bastidores da Política “Não seremos tratados como moleques”, diz Lula sobre decisão dos EUA
Mundo dos Esportes Gabriel Ganley: o que se sabe sobre a morte do fisiculturista de 22 anos
Tecnologia e Games Instagram remove contas falsas: como proteger seu perfil