Canaã dos Carajás assumiu a ponta de exportações no estado do Pará no ano de 2024, segundo dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. O município exportou US$ 6,7 bilhões, 5% a mais do que em 2023, figurando como o 3º maior exportador do país. No ano anterior Canaã ocupou a 5ª colocação nesse ranking.
A Terra Prometida ficou atrás, no país, apenas do Rio de Janeiro (RJ) e Duque de Caxias (RJ), que exportaram US$ 25,8 bilhões e US$ 15,7 bilhões, respectivamente. O principal parceiro comercial foi a China, destino de US$ 4,5 bilhões em exportações, e o minério de ferro representou 91% de todo o valor exportado.
Desafios
O secretário de Planejamento do município, Geam Meirey, destacou que esse resultado já estava previsto, uma vez que o projeto de extração de minério S11D vem avançando no município. “Essa virada de chave ia acontecer e a gente vem acompanhando isso com a Vale”, disse.
Ele destaca, no entanto, que o protagonismo financeiro traz grandes desafios, sobretudo em relação à migração e necessidade de ampliação dos serviços públicos.
“A cidade já vem crescendo num ritmo acelerado nos últimos 10 anos, nós triplicamos de tamanho. Saímos de uma cidade de 25 mil habitantes para hoje com mais de 100 mil habitantes, seguramente. Então o nosso maior desafio é fazer com que a cidade continue crescendo, mas que os impactos disso sejam minimizados, com políticas sociais que atendam a população que chega”, comentou.
Como exemplo, o secretário citou a área da educação, onde o número de alunos vem aumentando, em média, em 2 mil por ano. “Novos 2 mil alunos significam pelo menos duas escolas. Nós iniciamos a construção de 12 escolas novas em 2024 e já iremos iniciar mais cinco novas para esse ano de 2025 ”, comentou.
Diversificação econômica
Para lidar com esse crescimento e aproveitar o ciclo da mineração, o secretário destaca que o município vem tomando medidas de diversificação econômica.
“Nós temos que pensar agora no futuro, não dá para esperar daqui 25 anos, 30 pra começar a pensar o que nós vamos fazer depois, e por isso Canaã já está pensando. Nós contratamos a Fundação Getúlio Vargas para fazer o planejamento dos próximos 25 anos, que é o Canaã dos nossos sonhos, então estamos trabalhando novas matrizes econômicas”, garantiu.
Geam citou o plano para fazer de Canaã um hub logístico, aproveitando a Estrada de Ferro Carajás, que escoa o minério para o porto de São Luís, para escoar a produção do agronegócio do sul do Pará, e ao mesmo tempo receber importações de insumos. Para isso, o próprio município criou infraestrutura rodoviária para os municípios próximos, como a TransCarajás, TransJussara e TransCanadá.
“Assim, fortalecemos o agronegócio da região, barateando custos e depois exportando esses produtos, utilizando esse modal, além de outras cadeias produtivas que estamos investindo, como o turismo com a construção do aeroporto”, concluiu.
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